Top 10: Os dez melhores vinhos que degustamos em 2021

Em 2021 Cervejas e Vinhos obteve a certificação FWS (French Wine Scholar), e para isso foi necessário estudar muito e degustar a maior quantidade possível de vinhos franceses. Por esse motivo o Top 10 de 2021 será inteiramente composto por rótulos da França. Vamos a eles:

10 – Ferme des 7 Lunes ‘De Deux Choses Lune’ 2017

Vinho branco produzido no norte do Rhône, na AOC Saint-Joseph, corte de Roussanne e Marsanne. Cultivo orgânico em vinhas de solos graníticos, que transmitem mineralidade ao vinho. Os aromas e sabores são complexos e distintos, mesclando notas de frutas brancas, flores e baunilha com algo difícil de descrever, mas que pode ter a ver com plantas (a ficha técnica do produtor cita erva-doce e anis estrelado). A textura também chama atenção, muito potente, com final de boca longuíssimo. Vinho adquirido na De la Croix.

09 – Domaine Font de Michelle Châteauneuf-du-Pape 2015

Esse provamos apenas uma taça no The Wine Pub de Itajaí, e não sabemos se fomos levados pela emoção de um momento que era especial. Mas na hora o vinho pareceu perfeito, um Châteauneuf-du-Pape dominado por Grenache, numa pegada mais sutil e jovial, com pouca madeira aparente e bastante fruta vermelha. Elegância extrema.

08 – Wolfberger Alsace Grand Cru Steinert Pinot Gris 2018

Esqueçam os habituais vinhos neutros da Pinot Grigio na Itália (embora lá também existam exemplares de qualidade superior). Aqui estamos falando de um Grand Cru alsaciano, onde a Pinot Gris é cultivada em baixo rendimento e num terroir extraordinário. O que encontramos na taça é um néctar viscoso e suculento, com sabores de pêra, maçã e mel. Final longo e marcante. Adquirido no Hippo.

07 – Domaine Amiot Servelle Chambolle-Musigny Village 2018

A grande diferença de Chambolle-Musigny para os outros vilarejos da aclamada Côte de Nuits na Borgonha, é que Chambolle tem a fama de produzir os vinhos de Pinot Noir mais delicados e elegantes de toda a região. E de fato é exatamente isso que o vinho entrega: a mais pura expressão de Chambolle e uma Pinot Noir perfeita, sedosa, com muita cereja e morango, e praticamente sem terciários. Para beber de litros, caso você seja um milionário. Adquirido na Cellar.

06 – Jean Bouchard Nuits-Saint-Georges Premier Cru 2014

Aqui, diferente do Chambolle comentado acima, temos um exemplar mais típico do que impera no restante da Côte de Nuits, com a famosa nota ‘sous-bois’ presente nas Pinot Noir de lá. Portanto, é menos delicado e mais complexo, adicionando diversos terciários às notas clássicas de cereja e morango, tais como trufa, couro e terra molhada. Alia potência e vigor num conjunto harmonioso e impactante. Adquirido no Angeloni.

05 – Marc Delienne ‘Avalanche de Printemps’ Fleurie 2018

Em 2021 participamos de uma degustação com 9 crus de Beaujolais, cujos relatos foram publicados aqui e aqui. Quatro vinhos chamaram muito a nossa atenção nesses flights, mas decidimos escolher apenas um para representar os magníficos Gamay de lá em nosso Top 10. O cru Fleurie é famoso por gerar os vinhos mais delicados de Beaujolais, e esta produção biodinâmica apresentou tudo o que se espera do estilo e da AOC: notas de cassis, cereja, violeta e banana, com características gerais médias, ótima intensidade de sabor e final. Adquirido na Cellar.

04 – Domaine Vigneret Bandol 2015

Já escrevemos sobre Bandol aqui no site, uma AOC localizada na Provence que, ao contrário do que se espera da região, não é famosa pelos rosés (embora eles dominem a produção local), e sim pelos seus poderosos tintos à base de Mourvèdre. Após passar um bom tempo respirando no decanter, o vinho nos entregou o que esperávamos de um Bandol: aromático, estruturado, condimentado, tânico e alcoólico. Um estilo de tinto francês que merecia ser muito mais conhecido! Adquirido na Chez France.

03 – Domaine Philippe Tessier ‘Les Sables’ Cour-Cheverny 2018

Assim como Bandol, a AOC Cour-Cheverny também já deu as caras aqui no site. Trata-se de uma Denominação de Origem localizada na Touraine, no belíssimo Vale do Loire, inteiramente dedicada a uma casta rara e pouco conhecida, a Romorantin. Esse foi um dos vinhos mais surpreendentes que provamos em 2021. Mineral, ácido, cítrico, fino e denso ao mesmo tempo. Maçã, abacaxi e pêssego branco podem ser encontrados no nariz e em boca. Delicioso! Adquirido na De la Croix.

02 – Nicolas Joly La Roche Aux Moines ‘Clos de La Bergerie’ 2015

Aqui temos uma conjunção de fatores que chama atenção: um produtor ultra renomado, o papa do vinho biodinâmico Nicolas Joly; uma AOC minúscula (Roche Aux Moines) localizada dentro de uma região clássica (Savennières); e a utilização de uma uva emblemática no Vale do Loire, a versátil Chenin Blanc. Joly produz apenas três vinhos, sendo esse o segundo mais importante. Nos falta ‘litragem’ em Savennières para descrever bem o vinho, mas, sem dúvidas, foi um dos brancos mais incríveis que já provamos na vida! Mega potente, estruturado e intenso. Inesquecível! Adquirido na loja física da Enocultura em SP.

01 – Chateau d’Arlay Vin Jaune 2003

E fechando o nosso Top 10 de 2021 chegamos no imortal Vin Jaune, o vinho amarelo de Savagnin do Jura. Já falamos sobre a região e sobre o vinho aqui e aqui. Vin Jaune é uma espécie de Jerez francês. Seu envelhecimento por quase sete anos em barris de carvalho promove a formação de um véu de levedura e sua transformação em vinho amarelo. No fim desse período, perde-se um terço do seu volume, pois as barricas não são completadas com vinho novo à medida que o vinho evapora. São então engarrafados em garrafas históricas chamadas “clavelin” de apenas 62 cl. O buquê é incrível, incluindo nozes, mel, frutas secas e resina. Em boca é viscoso, absolutamente seco e com muito corpo. A intensidade de sabor é pronunciada e o final é longo. Super complexo e demonstrando potencial para durar décadas, quiçá um século. Um vinho absurdo! Adquirido no Armazém Conceição.

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