Bonarda Piemontese versus Bonarda da Argentina

Em se tratando de uvas viníferas, existem várias confusões devido a nomes semelhantes. Hoje vamos esclarecer uma delas: a diferença entre a Bonarda Piemontese e a Douce Noire, conhecida como Bonarda na Argentina.

A Bonarda Piemontese, também chamada de Bonarda del Monferrato, Bonarda dell’Astigiano e Bonarda di Chieri, é uma variedade de origem italiana, cultivada principalmente em Pinerolese, Astigiano e Collina Torinese, no norte da Itália. Ela costuma ser usada em cortes, para prover cor, ou açúcar para aumentar o nível de álcool, podendo também ser utilizada para suavizar os taninos da Nebbiolo.

Vinhos varietais de Bonarda Piemontese são raros e dificilmente exportados. Suas principais características são os aromas florais, baixa acidez, taninos suaves e estrutura equilibrada.

Dois exemplos de Bonarda Piemontese, em bag in box e garrafa.

Já a Bonarda da Argentina é, na realidade, uma casta de origem francesa, chamada Douce Noire, originária da Savoie. Porém é amplamente plantada na Argentina, só perdendo para a Malbec como uva tinta mais cultivada do país.

Sua lista de sinônimos é extensa: Bathiolin (Albertville), Charbonneau (Jura), Charbono (Califórnia), Corbeau ou Corbeau Noir (Ain, Isère e Jura). Mauvais Noir, Plant de Montmélian, Plant de Turin ou Turin (Jura), Plant Noir (Haute-Savoie) e Turca (Trentino).

Antes do fim do século XIX, a Douce Noire era uma das variedades mais plantadas da Savoie, mas após a devastação causada pela filoxera ela se tornou bastante rara na França. Mais conhecida como Corbeau (corvo) no Jura, devido a sua cor profunda, ela ocupa cerca de 2 ha apenas, e é mais utilizada em blends.

Na Califórnia, sob o nome de Charbono, segundo dados de 2008 haviam 36 ha de plantação, especialmente em Napa Valley.

Mas nada se compara a Argentina, que com mais de 18 mil ha, majoritariamente em Mendoza e San Juan, é o maior produtor de Bonarda do mundo. Seus varietais costumam ser frutados e com boa acidez, além de possuírem um perfil elegante e gastronômico.

O caro Nicola Catena Bonarda, apontado por alguns como o melhor Bonarda da Argentina.

Bibliografia:
– Wine Grapes – Jancis Robinson, Julia Harding & José Vouillamoz – Ed. Ecco Press

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