Saiba mais sobre a Chardonnay, a rainha das uvas brancas

Chardonnay

Origem: Borgonha (onde ocupa 48% dos vinhedos da região).

Leque aromático:
– Floral: Tília, camomila, acácia, madressilva, cítrus, rosa e flor de laranjeira.
– Frutas cítricas: Pêssego, damasco, marmelo, bergamota, pomelo, limão e toranja.
– Frutas tropicais: Abacaxi / ananás, banana, melão, manga e carambola.
– Frutas verdes: Pera e maçã.
– Frutas secas: Avelã, amêndoa e damasco.
– Minerais: Giz, solução salina e cascalho triturado.
– Outros: Espinheiro-alvar, manteiga fresca, levedura, cogumelo, ervas, mel, baunilha, coco, bala de caramelo, anis, café, brioche, pão torrado, madeira chamuscada e odor de torrefação.

É a uva mais célebre dos vinhos brancos. Está na origem dos maiores vinhos brancos secos da Borgonha, e entra na composição de um grande número de produção dos Champagnes, sendo o componente exclusivo dos “blanc de blancs”.

A Chardonnay pode ser cultivada sem grandes dificuldades em uma ampla variedade de climas. Nos climas frescos, a Chardonnay pode exibir sabores de fruta verde e fruta cítrica. Nos climas mais moderados, os sabores tendem mais para os de fruta carnuda, tais como pêssego branco e melão. Nas regiões moderadamente quentes e quentes, os sabores de frutas tropicais, como banana e abacaxi, são típicos.

Os teores de açúcar de seus bagos podem atingir níveis elevados e, simultaneamente, conservar uma boa acidez, o que permite que dela se obtenham vinhos potentes e amplos, com estrutura e untuosidade.

A Chardonnay se desenvolve melhor em terrenos medianamente férteis, onde há predominância de calcário, mas também se dão bem nas encostas, em solos margosos e, às vezes, nos argilosos (como a marga do Kimeridgiano, de Chablis; a do Oxfordiano, dos vinhedos de Corton-Charlemagne, etc.). Plantada em solos rasos e com maior teor de calcário, ela resulta em vinhos de um perfil mais austero e até mais metálico, enquanto em solos mais profundos obtêm-se vinhos mais redondos.

Os aromas e sabores sutis da Chardonnay fazem com que ela ofereça um mundo de possibilidades no que toca às técnicas de vinificação. Tomando apenas como exemplo a Borgonha, em França, a Chardonnay pode assumir muitas formas diferentes. No norte da região, os vinhos de Chablis têm com frequência acidez alta e exibem notas de maçã verde e de fruta cítrica, tons vegetais e florais, às vezes com um toque de pedras molhadas e ardósia. Na Côte d’Or, os melhores vinhos combinam sutis notas de frutas de caroço, secas e tropicais, com cremosos sabores da madeira, sendo untuosos, ricos e lembrando defumação. Mais para o sul, no Mâconnais, os vinhos podem ser mais frescos, leves e vivos, com notas de flores brancas e madeira tostada. A maioria dos vinhos fazem a FML (fermentação maloláctica) e muitos produtores submetem os seus vinhos a um prolongado envelhecimento em contato com as borras. Com a idade, os melhores vinhos desenvolvem complexos aromas de frutos secos e/ou cogumelos.

Fora da Borgonha, o estilo do Chardonnay – e portanto, as técnicas utilizadas na sua elaboração – depende mais das preferências de cada produtor do que das tradições da região vinícola. Muitos dos vinhos costumavam ter muita madeira, mas agora, os produtores de Chardonnay de qualidade superior estão, decididamente, deixando de lado este estilo de vinificação.

As regiões que têm conseguido construir uma boa reputação para Chardonnay de qualidade superior incluem Russian River Valley e Los Carneros, ambas na Califórnia; Adelaide Hills, Geelong e Mornington Peninsula na Austrália; Gisborne e Marlborough, na Nova Zelândia; e o Valle de Casablanca, no Chile, entre outros.

Bibliografia:

– Compreendendo o Vinho: Explicando Estilo e a Qualidade – Livro de apoio da Qualificação de Nível 3 em Vinhos WSET – Wine & Spirit Education Trust
– Le Nez du Vin – Jean Lenoir – Editions Jean Lenoir
– Vinhos da Borgonha – História, Tradição e Cultura – Jean Claude Cara & Ligia Maria Salomão Cara – Ed. Melhoramentos
– Wine Folly – Guia Essencial do Vinho – Madeline Puckette & Justin Hammack – Ed. Intrinseca

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