Uva Sauvignon Blanc, do Vale do Loire para o mundo!


Sauvignon Blanc

Também conhecida como: Blanc Fumé ou Blanc Fumet (Sancerre e Pouilly no Vale do Loire), Fié ou Fiers (para Sauvignon Gris no Vale do Loire e Vallée de la Vienne), Fumé (Nièvre), Fumé Blanc (California), Muskat-Silvaner (Áustria e Alemanha), Muskatni Silvanec (Eslovênia), Sauternes (Indre e Cher), Sauvignon Fumé (Loire), Sauvignon Musqué ou Sauvignon Blanc Musqué (EUA), Savagnou (Béarn), Sotern Marunt (Moldávia), Surin (Loir-et-Cher) e Verdo Belîi (Moldávia).

A casta Sauvignon Blanc é de procedência francesa, mais precisamente do Vale do Loire. Sabe-se também que ela tem parentesco / descendência com a Savagnin (uva tradicional do Jura), com quem às vezes é confundida. Análises de DNA sugerem que a Sauvignon Blanc é irmã da Chenin Blanc, a mais importante variedade branca do Vale do Loire, e da Trousseau, antiga casta tinta do Jura. Ao ser levada para Bordeaux, em algum momento do século XVII, foi espontaneamente cruzada com a Cabernet Franc, dando origem a uva tinta mais famosa do mundo: Cabernet Sauvignon!

A etimologia indica que Sauvignon vem do francês sauvage. O velho sinônimo Fié ou Fiers vem do latim ferus, que também significa selvagem. Isto provavelmente se deve a forma da Sauvignon Blanc, similar a videiras selvagens.

É uma variedade de cor amarelo-pálida, acidez natural elevada e que possui um grande leque aromático: abacaxi, maracujá, toranja (grapefruit), manga, maçã verde, melão verde, pêssego branco, limão, tilia, grama que acabou de ser cortada, flor de sabugueiro, aspargos, groselha, pedras molhadas e até mesmo pólvora!

É de maturação precoce, pelo que se adapta bem aos climas frescos. Duas mutações de cores da Sauvignon Blanc já foram observadas: Sauvignon Gris, também chamada de Fié, Fiers, Surin Gris e Sauvignon Rose, e Sauvignon Rouge, ambas no Vale do Loire.

Sauvignon Blanc é a terceira uva branca mais plantada da França, só perdendo para a Ugni Blanc (Trebbiano Toscano) e Chardonnay. Surpreendentemente, a região com maior área plantada não é o Vale do Loire, e sim Languedoc-Roussillon.

Mas é no Vale do Loire onde a Sauvignon Blanc encontra sua mais pura expressão, especialmente em Sancerre (departamento de Cher) e Pouilly-Fumé (departamento de Nièvre). São vinhos elegantes, com sofisticados toques de mineralidade, e que às vezes se diferenciam pelo gosto defumado, principalmente Pouilly-Fumé.

Em Bordeaux, entra na composição da maioria dos brancos secos, adicionando aromas e frescor. Pessac-Léognan é a região mais conhecida e que produz os melhores exemplares. A Sauvignon Blanc é usada em cortes com a Semillon, e o vinho, ou pelo menos parte dele, é fermentado e envelhecido em madeira, o que dá notas tostadas e especiadas. Em Sauternes ela também faz parte da composição de alguns dos melhores vinhos doces do planeta, como o lendário Château d’Yquem.

Raridade: Pavillon Blanc, um 100% Sauvignon Blanc do prestigiado Château Margaux.

Até na Borgonha, terra da Chardonnay, é possível encontrar Sauvignon Blanc, na pouco conhecida apelação Saint-Bris.

Na Califórnia, é conhecida como Fumé Blanc e os vinhos são barricados, ganhando um perfil encorpado cujo estilo chega a lembrar um Chardonnay.

Na Nova Zelândia, em Marlborough, encontrou seu segundo habitat depois do Loire, criando um padrão de qualidade que chega a ultrapassar alguns dos originais franceses. As longas horas de luz solar intensa da região dão vinhos com sabores muito vibrantes.

Existem bons vinhos elaborados com ela na África do Sul e no Chile, principalmente nas regiões de Casablanca e San Antonio. Margaret River, na Austrália, também produz Sauvignon Blanc de qualidade, mas assim como ocorre em Bordeaux, costuma ser mesclada a Semillon.

Sabia que o famoso Angelo Gaja, do Piemonte, produz um 100% Sauvignon Blanc chamado Alterni di Brassica?

A Sauvignon Blanc também aparece no Canadá, México, Índia, Japão, Espanha, Moldávia, Romênia, Itália, Croácia, Ucrânia, Rússia, Áustria, Alemanha, Eslovênia, Portugal, Suíça, República Tcheca, Grécia, Turquia, Bolívia, Uruguai, Argentina e Brasil, entre outros.

Por falar em Brasil, a Sauvignon Blanc tem tudo para se tornar a uva emblemática da Serra Catarinense. Recomendamos muito os exemplares da Villaggio Bassetti, de São Joaquim, nas versões com e sem madeira. O vinho Donna Enny, que estagia em barrica nova de carvalho francês, foi eleito por dois anos consecutivos a melhor Sauvignon Blanc do Brasil pelo Guia Adega de Vinhos Brasileiros.

Bibliografia:

– Conheça Vinhos – Dirceu Vianna Junior e José Ivan Santos – E. SENAC
– O Guia Essencial do Vinho Wine Folly – Madeline Puckette e Justin Hammack – Ed. Intrínseca
– Wine Grapes – Jancis Robinson, Julia Harding & José Vouillamoz – Ed. Ecco Press

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