Degustação de Pinot Noir: Novo Mundo vs Velho Mundo

Essa é a terceira vez que Cervejas e Vinhos participa de uma degustação de vinhos focada na uva Pinot Noir. Na primeira, cujo relato você pode conferir clicando aqui, tivemos rótulos do Brasil, França e Argentina, e o grande destaque foi um exemplar do Valle de Uco (Mendoza – Argentina). A segunda degustação contou com quatro Borgonhas e um sul-africano, e nesse dia o vinho que mais chamou atenção foi um Roncevie (Côtes de Nuits, Borgonha – França). Dessa vez organizamos um embate Novo Mundo vs Velho Mundo, com representantes da África do Sul, Nova Zelândia, Portugal e França. Veja como foi:

O JH Meyer Wines Kleinrivier Hemel & Aarde 2016 é um vinho “natureba”, de certificação orgânica, feito com leveduras indígenas, limitado em 3330 garrafas. Estagiou 11 meses em carvalho francês neutro. No aroma identificamos cereja, cogumelo e notas fumadas. Em boca possuía elevada acidez, e pouquíssima fruta no sabor. Um vinho estranho, que consideramos pouco agradável. Hemel & Aarde é uma ward em Walker Bay, África do Sul, super conceituada na produção de Pinot Noir. Na degustação anterior previamente citada, provamos outro rótulo dessa ward, o Boekenhoutskloof Le Cap Maritime Pinot Noir 2017, que nos agradou muito mais.

O Sanctuary Pinot Noir 2017, produzido na excelente região de Martinborough, é o Pinot Noir neozelandês padrão, com bastante fruta (especialmente cereja preta) e madeira ultra discreta (sentimos uma leve baunilha no retrogosto). Ótimo para exemplificar um Pinot Noir do Novo Mundo, mais frutado e sem rusticidade. Pode não ser complexo, mas a drinkability é alta.

Recentemente participamos de uma degustação incrível com vinhos do Jura, e também já publicamos uma grande postagem sobre a região. Devido a proximidade com a Borgonha, e pelo fato de ter suas próprias uvas tintas (Poulsard e Trousseau), a Pinot Noir do Jura acaba sendo relegada a segundo plano por muitos enófilos, o que certamente é um erro. O Jérôme Arnoux Révélation 2017, produzido na Côtes du Jura, é um vinhaço! Seus 12 meses de barrica não são perceptíveis (em Jura é comum o uso de madeira neutra), sendo que no aroma detectamos frutas vermelhas (especialmente morango), notas herbáceas e especiarias. Até aqui, sem dúvida o melhor vinho da noite. Ultra apetitoso!

Ficamos curiosos ao encontrar um Pinot Noir da Península de Setubal! O Casa Ermelinda Freitas Pinot Noir 2016 estagia 12 meses em barricas de carvalho francês e americano. Junte essa informação com o fato da Península de Setubal possuir um clima subtropical e mediterrâneo, e o resultado é um vinho com zero tipicidade de Pinot Noir. O que encontramos na taça foi um vinho português comum, com predomínio de fruta madura. Bebível, mas sem nenhum tipo de destaque.

No ano passado tivemos a oportunidade de participar de uma degustação do Jean Bouchard, com seis rótulos, incluindo dois Pinots, sendo um deles um majestoso Gevrey-Chambertin. E no nosso Top 10 de 2019 incluímos um Vosne-Romanée do produtor que talvez tenha sido o melhor Pinot Noir que já degustamos na vida! E novamente Bouchard não decepcionou! O Jean Bouchard Nuits-Saint-Georges Premier Cru Chaines Carteaux 2014 veio para fechar a noite com chave de ouro. Seu aroma era inebriante e complexo, trazendo tudo o que podemos esperar dos grandes Pinots da Côtes de Nuits: cereja, morango, cassis, trufa, couro, sous-bois, etc. Potência e vigor num conjunto harmonioso e impactante. Em se tratando de Pinot Noir, nada como um belo Borgonha!

Ao final, nosso ranking ficou:

  1. Nuits-Saint-Georges (Borgonha, França)
  2. Côtes du Jura (Jura, França)
  3. Martinborough (Nova Zelândia)

O sul-africano de sabor estranho e o português sem tipicidade empataram e sequer merecem figurar no ranking.

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