Cervejas e Vinhos degustando Crus de Beaujolais, parte 2

CE

Recentemente publicamos aqui no site uma matéria sobre a região de Beaujolais, na França, incluindo uma degustação que participamos, com cinco rótulos de quatro crus (Fleurie, Chiroubles, Régnié e Côte de Brouilly). Desta vez fomos atrás de outros crus: Saint-Amour, Brouilly, Juliénas, Morgon e Moulin-à-Vent. Só ficou faltando um cru para fechar os dez crus de Beaujolais, o raro Chénas. Vamos a degustação:

Château des Rontets Saint-Amour 2017

Sempre seguindo a ordem dos mais leves aos mais encorpados, iniciamos a degustação com o cru de Saint-Amour, conhecido por produzir os vinhos mais delicados de Beaujolais ao lado de Fleurie e Chiroubles. Feito de uma pequena parcela de solos vulcânicos no climat de Côte de Besset, as uvas passam por uma longa maceração carbônica seguido de um estágio em madeira neutra. A ficha técnica prometia um nariz repleto de framboesa, cereja e outras frutas vermelhas frescas, porém com seus quatro anos de idade o vinho se mostrou evoluído, com geleia de frutas vermelhas, couro e especiarias (especialmente aniz). Com acidez média, tanino baixo e final curto, o vinho desapontou, porém foi interessante provarmos um Beaujolais leve com características de evolução e notas terciárias.

Château de Nervers Brouilly 2018

Os vinhedos do Château de Nervers tem mais de 50 anos, com a colheita sendo realizada manualmente. Após o desengaçamento ocorre a maceração semi-carbônica e a fermentação malolática em foudres (grandes barricas de carvalho francês). Detectamos aromas de framboesa, amora e groselha, que se repetiram em boca. Um vinho correto, mas que definimos como comum, de características gerais médias, que certamente faria sucesso entre as pessoas que buscam vinhos leves, frutados e sedosos. Mas como um cru, faltou um algo a mais.

Georges Duboeuf “Château des Capitans” Juliénas 2018

As videiras com mais de 70 anos de idade, fincadas em solos vulcânicos e graníticos, formam uma única vinha que circunda a propriedade de Georges Duboeuf. 20% do vinho estagia em carvalho novo por 8 meses. Não sentimos a madeira nova no vinho, e sim frutas negras maduras. Se mostrou semelhante ao vinho anterior, bom e correto, mas sem personalidade. Com acidez média, tanino baixo e final médio(-).

Domaine Jean Foillard Morgon “Côte du Py” 2018

Após três vinhos bons, mas não especialmente empolgantes, a partir daqui subimos de nível. O Morgon de Jean Foillard se mostrou muito mais complexo do que os vinhos anteriores, apresentando frutas negras, mirtilo, carne, erva-doce e notas florais. Estava em franca evolução, com boa acidez, tanino médio, álcool de 14,5% perfeitamente equilibrado ao conjunto, intensidade de sabor e final marcantes. A vinha que originou essa bebida está plantada em solos de granito e xisto na famosa encosta de Morgon “Côte du Py”, que funciona naturalmente, sem herbicidas ou pesticidas. Usa exclusivamente leveduras indígenas, é envelhecido por 6-9 meses em barricas de carvalho usadas, com o mínimo de sulfito possível e o engarrafamento é realizado sem clarificação ou filtragem.

Thibault Liger-Belair Moulin-à-Vent “Les Vieilles Vignes” 2016

Thibault Liger-Belair é uma vinícola de Nuits-Saint-Georges, na Borgonha, mas que realiza esse Moulin-à-Vent com uvas compradas de vinhas velhas, algumas com mais de 110 anos, sendo um blend de sete parcelas ao redor da colina da região. A colheita é manual com 40% dos cachos inteiros, três semanas de fermentação com extração muito leve e estágio de 15 meses em foudres. Um vinho com nervo, possuindo aromas de frutas negras, ervas secas e um leve e saboroso chocolate. Talvez não tivesse a complexidade do vinho anterior, mas era tão bom quanto, absolutamente equilibrado em todos os quesitos, envolvente e elegante.

Portanto o ranking final trouxe um empate técnico entre o Morgon e Moulin-à-Vent, que sem dúvida foram os grandes vinhos da noite. Sendo que na primeira etapa os dois crus que mais se destacaram foram Fleurie e Côte de Brouilly. Nossa impressão final sobre os crus de Beaujolais foi a melhor possível. Mesmo os vinhos que não nos encantaram, e que definimos como comuns, eram redondos e agradáveis. Enquanto que os melhores demostraram equilíbrio, persistência, intensidade e complexidade, tudo o que podemos esperar de um grande vinho. Um brinde à Beaujolais!

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