Cervejas e Vinhos participa de degustação de vinhos do Jura

Já falamos sobre a região do Jura aqui no site, e agora tivemos a oportunidade de participar de uma degustação com quatro rótulos de uvas e estilos emblemáticos do local: Poulsard, Trousseau e dois Savagnin (versões Ouillé e Vin Jaune), representando as importantes denominações de Arbois e Côtes du Jura. Vejam como foi:

Domaine Rolet Arbois Poulsard Vieilles Vignes 2016

Normalmente numa degustação os vinhos brancos são servidos antes dos tintos, mas não no caso do Jura, onde os brancos são mais potentes que os tintos. Portanto o escolhido para abrir os trabalhos foi esse Poulsard de vinhas velhas do Domaine Rolet, amadurecido 18 meses em cubas de material inerte. Um vinho leve, com aromas e sabores de frutas vermelhas silvestres, taninos rústicos e características gerais médias (acidez, álcool, intensidade de sabor e final). Com seus 5 anos de idade, o vinho já denotava sinais de cansaço. Certamente gostaríamos de prová-lo mais novo. Adquirimos o vinho na Decanter, porém cabe ressaltar que, atualmente, a importadora do Domaine Rolet no Brasil é a Belle Cave.

Fumey Chatelain Arbois Trousseau ”Le Bastard” 2017

Outra uva importante do Jura é a Trousseau, que normalmente é mais tânica do que a Poulsard. Porém aqui tivemos um exemplar com menos tanino do que o vinho anterior. O aroma era semelhante (frutas vermelhas silvestres), mas aqui havia um “fresh” bem interessante. Amadurecido por 11 meses em inox, o vinho possuía características gerais médias, sendo muito saboroso em boca. Estava absolutamente vivo, e sem dúvida agradou bem mais que o Poulsard de 2016. O Domaine Fumey Chatelain já possui certificação orgânica e estão próximos de se tornarem biodinâmicos. Toda sua produção é feita com leveduras indígenas, sem aditivos e com uso cuidadoso de sulfito. Quase todos seus vinhos são engarrafados sem filtração e colagem. Adquirimos na Cellar.

Fumey Chatelain Arbois Savagnin Ouillé 2018

Esse Savagnin é feito a partir de vinhas de mais de 50 anos em solo de marga escura na parte Norte do lieu-dit “Sauvagny”. A fermentação é natural em barricas antigas e o vinho passa 19 meses em amadurecimento sur-lie com frequente preenchimento das barricas (Ouillé). Detectamos aromas de frutas tropicais, creme de limão e um certo medicinal. Como era de se esperar possuía mais corpo e intensidade que os tintos. Porém não achamos que o vinho possuía grande drinkability, tendo um álcool alto (14,6%) que se destoava um pouco do resto. Vinho adquirido na Cellar.

Chateau d’Arlay Vin Jaune 2003

Após uma leve decepção com o vinho anterior, o último veio para fechar a degustação em altíssimo nível, e desde já um forte candidato a aparecer em nossa lista de melhores vinhos do ano. Vin Jaune é uma espécie de Jerez francês. Seu envelhecimento por quase sete anos em barris de carvalho promove a formação de um véu de levedura e sua transformação em vinho amarelo. No fim desse período, perde-se um terço do seu volume, pois as barricas não são completadas com vinho novo à medida que o vinho evapora. São então engarrafados em garrafas históricas chamadas “Clavelin” de apenas 62 cl.

O buquê é incrível, incluindo nozes, mel, frutas secas e resina. Em boca é viscoso, absolutamente seco e com muito corpo. A intensidade de sabor é pronunciada e o final é longo. Super complexo e demonstrando potencial para durar décadas, quiçá um século. Harmonizamos o vinho com embutidos e queijo Comté, e ficou sensacional!

O vinho foi adquirido no Armazém Conceição, com importação do grupo Franco Suissa.

Ao final, nosso ranking ficou assim:

  1. Chateau d’Arlay Vin Jaune 2003 – 95 pts.
  2. Fumey Chatelain Arbois Trousseau ”Le Bastard” 2017 – 90 pts.
  3. Fumey Chatelain Arbois Savagnin Ouillé 2018 – 89 pts.
  4. Domaine Rolet Arbois Poulsard Vieilles Vignes 2016 – 88 pts.

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