Degustação de Pinot Noir: Borgonha vs Walker Bay

Recentemente relatamos aqui no site uma degustação que Cervejas e Vinhos participou, só com vinhos brancos da Côte de Beaune, região da Borgonha que é o berço da uva Chardonnay. Na ocasião combinamos com o sommelier Flavio Melara realizar uma segunda degustação de Borgonha, dessa vez focada nos tintos de Pinot Noir. Convidamos o expert Ronaldo Maurer para participar também, e o mesmo apareceu com um vinho “alienígena”, um sul-africano de Walker Bay. Ficamos curiosos para ver como esse vinho se comportaria em meio aos Borgonhas.

Abrimos os serviços com um branco, o Pierres Sauvages Montagny Premier Cru “Les Vignes Derrières” 2017, Chardonnay da Côte Chalonnaise, com perfil bem diferente dos exemplares da Côte de Beaune, mais floral e vegetal do que frutado. Bom vinho. Mas agora vamos à sequência de Pinot Noir:

O Chauvot-Labaume Mercurey Premier Cru “Clos L’Évêque” 2013 se mostrou um pouco fechado no início, com aromas de frutas vermelhas e tabaco. Em boca o frutado se repetiu, sendo um vinho leve e redondo. Os vinhos da denominação Mercurey tem fama de serem ricos e carnudos, mas não era o caso deste, que se revelou simples.

No segundo Pinot Noir do dia o nível subiu bastante! O Perrin Céline Ladoix “Les Briquottes” 2017 apresentou um mix de cereja e framboesa frescas no nariz e na boca. Um vinho absolutamente sedoso, macio, com boa estrutura mas leve ao mesmo tempo, devido a sua graciosidade. Uma delícia!

Aqui chegamos ao “alien” do dia, o Boekenhoutskloof Le Cap Maritime Pinot Noir 2017, oriundo das wards de Hemel En Aarde, em Walker Bay, África do Sul. Trata-se do local mais conceituado de toda África do Sul em se tratando de Pinot Noir. O vinho apresentou morango e notas defumadas no nariz, sendo bastante frutado em boca. Um vinho vigoroso, mas com perfil Novo Mundo. Muito bom de qualquer forma.

O Domaine Arlaud Bourgogne Roncevie 2018 foi sem dúvida o ápice dessa degustação. Se por um lado é uma pena abrir um vinho dessa magnitude tão jovem, por outro também é interessante provar grandes vinhos novos com toda sua exuberância de fruta (cereja e mirtilo principalmente). Potente, aveludado e estruturado, absolutamente excelente! Roncevie é uma lieux-dit situada entre duas das mais famosas apelações da Côte de Nuits, Gevrey-Chambertin e Morey-Saint-Denis. Sem dúvida um terroir abençoado para a produção de Pinot Noir.

Fechando o dia, provamos o Chateau de Villars Fontaine “Le Haut du Village” 2010, o “velhinho” da noite com seus 10 anos de idade. Claro que isso não é nada perante os grands cru que sobrevivem por décadas. Mas aqui estamos falando de um Hautes Côtes de Nuits, uma denominação regional, que embora também possa produzir vinhos longevos, dificilmente evoluirão para algo muito complexo. Acabou sendo o vinho menos estimulante da degustação, sendo definido como “duro”, um tanto quanto fechado, mesmo aerando num decanter.

Ao final, o ranking ficou assim:

1 – Roncevie
2 – Ladoix
3 – Hemel En Aarde
4 – Mercurey
5 – Hautes Côtes de Nuits

Obs.: Os dois melhores da noite foram adquiridos na Cellar Vinhos.

Se você é fã de Pinot Noir, leia também sobre uma degustação que fizemos em 2019, com exemplares da Alsácia, Patagônia, São Joaquim e Valle de Uco.

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