Degustação de vinhos brancos do Vale do Loire, França

Fechando 2019, Cervejas e Vinhos conduziu, na 9º edição de uma confraria realizada em Florianópolis, uma degustação de vinhos brancos do Vale do Loire. Na ocasião reunimos as três principais uvas da região: Melon, Chenin Blanc e Sauvignon Blanc (por coincidência já falamos dessas três castas aqui no site, como vocês podem conferir nos links). Também houve uma preocupação em representar estilos e sub-regiões importantes, então tivemos um espumante natural, três secos e um doce, representando Touraine, Muscadet, Montlouis-sur-Loire, Pouilly-Fumé e Coteaux du Layon. Vamos aos rótulos:

La Grapperie “La Bueilloise” Chenin Blanc Pétillant Naturel Brut Nature 2017
O Vale do Loire é um grande expoente dos vinhos naturais, e esse espumante de Chenin Blanc, oriundo de Bueil-en-Touraine, iniciou bem a noite. De cor dourada e bolhas finas, trouxe aromas de panificação, damasco, frutas secas / desidratadas, mel, cidreira e gengibre. Em boca se mostrou hiper seco, cremoso, e com sabor de damasco em destaque. Não é para todos os gostos, sendo bem diferentes dos Crémants da região, mas achamos interessante!
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Domaine Vincent Caillé “Clos de la Févrie” Muscadet Sèvre et Maine 2018
De produção totalmente biodinâmica, esse Muscadet provém de vinhas de mais ou menos 20 anos, e fermentado com o uso leveduras indígenas. O processo de ‘sur lie‘, típico dos vinhos dessa denominação, foi realizada por 9 meses em ânfora. No nariz sentimos pêra, frutas cítricas e o misterioso caráter mineral (minério não tem cheiro, mas há várias sensações que associamos a isto, tais como: textura de giz, sílex, ardósia, pedra molhada, pedra de isqueiro, concha de ostra, petrichor, etc.). Em boca o vinho era super frutado, com destaque para pêra, lima e limão siciliano. Um Muscadet correto e honesto.
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Domaine la Grange Tiphaine “Clef de Sol” 2017
Esse Chenin Blanc de Montlouis-sur-Loire é um velho conhecido nosso, e inclusive sua versão 2014 apareceu em nosso Top 10 de 2018. Com certificação biodinâmica, e vinhas antigas de 80 anos, o Clef de Sol apresentou marmelo, pêra e notas florais.  Untuoso em boca, com grande acidez e final persistente. Um ótimo exemplar de Chenin Blanc seco, com potencial para envelhecimento.
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Famille Bougrier “Les Champs de Cris” Pouilly-Fumé 2018
Sauvignon Blanc dos mais elegantes, sendo pura expressão do terroir de Pouilly-Fumé. Complexo no nariz, trazendo aromas de flor de maracujá, maçã verde, toranja, pedra molhada, flores brancas, folha de tomate e um discreto herbáceo. Em boca o principal sabor foi de groselha verde! Acidez viva e final marcante. Às cegas, para quem não está acostumado com Sauvignon Blanc do Vale do Loire, dificilmente acertaria a casta. Belo vinho!
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Domaine Baumard “Carte d’Or” Coteaux du Layon 2014
Finalizamos a degustação com um vinho doce de Chenin Blanc, cuja vinificação se deu por triagem sucessiva de uvas maduras e outras atacadas pela Podridão Nobre (Botrytis cinerea). Parafraseando um confrade presente na ocasião, este vinho era “uma sinfonia de aromas e sabores”. Mel, cera de abelha, damasco, infusão de ervas, própolis e doce de casca de laranja foram as principais notas encontradas. A alta acidez não tornava o adocicado enjoativo, e a intensidade de sabor era pronunciada. Acabou sendo o vinho mais pontuado da noite (94.2 pt). Delicioso!

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