Cervejas e Vinhos participa de degustação de Tokaji

Tokaji ou Tokay (grafia ocidental) é o vinho mais famoso da Hungria, e o mais antigo botritizado do mundo. Entre os vinhos doces do estilo, só encontra rivais à altura no Sauternes (Bordeaux, França) e nos alemães Beerenauslese e Trockenbeerenauslese. Cervejas e Vinhos organizou e conduziu uma degustação com cinco rótulos de Tokaji em uma confraria de Florianópolis, incluindo dois exemplares secos, um Colheita Tardia e dois Aszú (de 3 e 5 Puttonyos). Vamos a eles:

O Sauska Furmint Tokaji 2017 abriu a noite, sendo um varietal seco da principal casta de Tokaj. Apresentou no nariz frutas cítricas, maçã verde e um leve herbáceo. Em boca predominou o cítrico, com acidez média(+). Tanto a intensidade do sabor como o final foram considerados médio(-), ou seja, um vinho simples, e não adequado para mais envelhecimento. Pela nossa experiência pregressa, os Furmints secos não costumam brilhar, geralmente possuindo baixa drinkability. Claro que existem exemplares de qualidade superior, mas são os botritizados em corte com as uvas Hárslevelü e Sárga Muskotály os verdadeiros astros da região, como veremos a seguir.

O Evinor Tokaji Szamorodni Száraz 2013 é um vinho exótico que poucas pessoas conhecem no Brasil. Nós do Cervejas e Vinhos somos fãs, sendo que o mesmo apareceu em nosso top 10 dos melhores vinhos degustados em 2018. Os Szamorodnis são bebidas feitas com cachos parcialmente botritizados, existente nas versões Száraz (seco) e Édes (doce). Neste caso estávamos diante de um seco, que é uma espécie de Jerez húngaro, possuindo características oxidativas propositais. O aroma era terciário, com notas de cera de abelha, própolis e oleaginosas. Em boca apresentou domínio de frutas secas, com acidez média, bom corpo, intensidade de sabor média(+) e final médio(+). Um vinho gastronômico, que cresce muito quando harmonizado com comida. Experimentamos com diversos Tapas espanhóis e ficou uma delícia!

Iniciando a trinca de doces, abrimos o Royal Tokaji Late Harvest 2015. O vinho já estava evoluído, com aromas de geléia de damasco, maçã cozida e pêssego em calda. Com acidez média e corpo médio(-), mostrou-se ‘meio doce’ em boca, com boa intensidade de sabor e final médio. Uma curiosidade é que a vinícola Royal Tokaji tem como um de seus acionistas o famoso escritor especializado em vinhos Hugh Johnson.

Os Aszú (sinônimo para ‘bagos botritizados’) são os mais tradicionais e famosos vinhos da região. Até 2013, de acordo com o nível de açúcar residual, os vinhos eram classificados de 3 até 6 puttonyos. Atualmente, pela nova legislação, os vinhos de 3 e 4 puttonyos são designados como Colheita Tardia. O Evinor Tokaji Aszú 3 Puttonyos 2013 trouxe no nariz geléia de damasco, mel e casca de laranja, portanto evoluído e com características terciárias. Em boca lembrou licor de laranja, com acidez alta, corpo médio, intensidade de sabor médio(+) e final médio(+). Um vinho excelente, com potencial para um pouco mais de envelhecimento.

Finalizando a degustação, tivemos o Grand Tokaji Aszú 5 Puttonyos 2013. Estava em processo de evolução, prometendo melhorar ainda mais com o tempo. Finesse pura, com notas de damasco e mel, que se repetiram em boca. Untuoso, com boa acidez, encorpado, intensidade de sabor média(+) e final marcante. Dividiu opiniões, juntamente com o penúltimo vinho, sobre qual dos dois teria sido o melhor da noite, fazendo jus a máxima de que Tokay é o “Vinho dos Reis, Rei dos Vinhos”.

A próxima edição da confraria será dedicada a casta espanhola Garnacha, também conhecida como Grenache na França e Cannonau na Itália. Aguardem nosso relato. Até lá!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *