Participamos de uma degustação de vinhos brancos incomuns

Em junho de 2019 Cervejas e Vinhos teve a oportunidade de participar de uma degustação de vinhos brancos mono-varietais pouco usuais, contando com 6 garrafas de 4 países. Esteve presente na ocasião, além do staff do site, a sommelière Gabriela Rosa e o expert Ronaldo Maurer.

Abrindo a noite tivemos o Domaine de l’Idylle Cruet 2018, representando a Savoie, na França. Trata-se de um vinho produzido a partir da casta Jacquère, cujos vinhedos estão localizados na pequena cidade de Cruet. O Domaine de l’Idylle é uma vinícola familiar antiga, e a maioria de suas vinhas são da uva Mondeuse. Sem madeira, o Cruet nos trouxe fruta branca (especialmente pêra) e flores no aroma. Em boca repetiu o frutado e apresentou uma leve salinidade, além de um grande frescor. Harmonizamos com um fondue de Gruyére e Emmental e ficou uma delícia.

Na sequência partimos para um vinho cuja uva é bem tradicional e nada tem de incomum. Porém o motivo desse vinho ter feito parte da degustação foi o fato de que Sauvignon Blanc não é uma uva típica da Borgonha, cuja grande casta branca é a Chardonnay. O Domaine des Temps Perdus Clotilde Davenne Saint-Bris AOC 2017, assim como o vinho anterior, não possui passagem por madeira e apresentou muito frescor. No nariz apresentou mousse de maracujá e um leve herbáceo, que se repetiram em boca. Harmonizamos com um queijo de cabra e ficou perfeito. A apelação Saint-Bris é a única de toda a Borgonha dedicada a Sauvignon Blanc, e o Domaine des Temps Perdus possui quatro parcelas de vinhas antigas, uma delas centenária.

O terceiro vinho da noite foi o Hiedler Grüner Veltliner Löss 2017, da região de Kamptal, na Áustria. No aroma muita maçã e mineralidade, sendo envolvente e macio em boca. Novamente um vinho sem passagem por madeira, com fermentação em cubas de inox iniciada por leveduras indígenas. A harmonização se deu com uma salada de folhas verdes, aspargo, tomate-cereja e camarão, com molho oriental. Havia a preocupação se o molho poderia se sobrepor ao vinho, mas não, ficou ótimo. Não é à toa que nas diretrizes enogastronômicas do vinho se encontram cozinha vietnamita e tailandesa.

Após três vinhos leves, partimos para vinhos mais densos e amadeirados. O The Wine Thief Roussanne 2017, de Slanghoek Valley na África do Sul, é um 100% Roussanne limitado em menos de 300 garrafas. Foi feito a partir de um único barril, e passou por fermentação malolática natural. Pudemos sentir no aroma notas de iogurte e chocolate branco juntamente com fruta de polpa branca. Madeira bem integrada e discreta em boca, e um frutado bem presente. A vinícola The Wine Thief é especializada em castas do Rhone.

Se aproximando do fim, abrimos o Domaine Rolet Arbois Blanc Nature Savagnin Ouille 2016, um vinho exótico do Jura complexo e diferenciado. Feito com a uva Savagnin, no olfato chega a lembrar um Vin Jaune ou Jerez, com notas de oleaginosas (principalmente amêndoa), mas em boca revela-se um vinho seco frutado (fruta madura), mineral e com final longo. Apesar dos 12 meses em barrica de carvalho francês, a madeira não é pesada. O Domaine Rolet é um dos grandes nomes da AOC Arbois, e para quem quiser saber mais sobre o Jura, recomendamos um artigo recente que publicamos aqui no site.

Finalizando a noite, abrimos, com certa dificuldade, o chileno De Martino Muscat Viejas Tinajas 2013, do Vale de Itata, Maipo. A dificuldade se deu por conta da rolha seca, onde metade da mesma foi parar dentro da garrafa. Utilizando uma jarra como decanter, coamos o vinho e logo ficamos impressionados com a cor âmbar do mesmo (quando novo é dourado). A explicação é o amadurecimento: 6 meses em ânforas centenárias de argila. O aroma é bem diferente do que estamos acostumados a sentir em vinhos brancos, algo entre frutas secas e oleaginosas. Um vinho de corpo, que a princípio parece doce, mas revela-se seco no retrogosto, com grande final de boca. Harmonizamos com o prato principal do dia, uma tainha temperada com ervas e limão siciliano assada no forno. Uma combinação dos deuses!

Os seis vinhos foram espetaculares e todas as harmonizações deram mais do que certo. Uma experiência fantástica que deixou os participantes animados e com a promessa de realizar uma nova degustação em breve, desta vez com tintos pouco usuais. Certamente publicaremos o relato aqui no Cervejas e Vinhos. Até breve!

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