Seleção Privada 4ª Edição – Terroir Extremo, com vinhos de 3 países

Cervejas e Vinhos esteve presente no evento “4ª Seleção Privada – Terroir Extremo”, realizado em Florianópolis no dia 26 de julho de 2018. Seleção Privada é uma degustação guiada de vinhos pouco comuns, conduzida pela sommelière Marcia Amaral (Tudo do Vinho). Inclusive participamos da 3º edição, dedicada a espumantes, e nosso relato pode ser lido aqui. Desta vez, o tema teve como foco a vitivinicultura que desafia adversidades, seja pela localização ou pelas técnicas pouco usuais. A programação inicial contava com quatro vinhos, mas a noite ainda contou com duas surpresas de bônus.

O vinho que abriu a noite foi o italiano Al-Cantara Lu Veru Piaciri Etna Rosso DOC 2013, um corte de Nerello Mascalese e Nerello Cappuccio. A denominação de origem Etna está localizada na Sicília, e compreende parte dos territórios de 20 municípios nas encostas do vulcão mais alto da Europa, que está ativo em constante erupção. O vinho apresentou corpo leve, com notas de frutas vermelhas e boa acidez. Sua cor já estava se esmaecendo, dando sinais de idade avançada, mostrando ter baixa expectativa de guarda (de 5 a 7 anos segundo o produtor).

O segundo vinho foi um Syrah cultivado na Serra da Mantiqueira em São Paulo, o Casa Verrone Speciale Syrah 2016. O aroma era forte, com muita fruta negra e chocolate. Em boca apresentou corpo médio e certa complexidade, porém achamos o vinho um pouco fechado e com madeira excessiva. Acreditamos que se passasse um tempo no decanter seria melhor, mas de qualquer forma é uma bebida com grande potencial. Já havíamos degustado, em outra ocasião, um Syrah da Vinícola Guaspari, de Espírito Santo do Pinhal em São Paulo, e achamos excelente. Vale muito a pena ficar de olho nos promissores vinhos do estado de São Paulo.

O terceiro vinho foi o que consideramos o destaque da noite, o GRUS Viñedos De Alcohuaz 2014. Trata-se de um corte composto por 50% de Syrah, 26% de Garnacha, 14% de Petite Syrah e 1% de Petit Verdot. Oriundo do Valle de Elqui, no Chile, os vinhedos são cultivados em clima semiárido, no limite sul do deserto do Atacama. São 300 dias de sol intenso por ano, e o solo granítico e arenoso tem formação no período triássico, anterior ao jurássico! O vinho não passa por madeira, e sim por recipientes ovais de cimento, e sua produção é limitada (menos de 10 mil garrafas). Trouxe notas de amora, chocolate e tabaco, sendo muito fresco, com taninos bem integrados e grande persistência. Um vinhaço!

O quarto vinho foi o catarinense Santa Augusta iMorTali 2012, corte bordalês composto por 76,5% de Cabernet Sauvignon, 18,5% de Cabernet Franc e 5% de Merlot. Trata-se de uma produção biodinâmica, a 1300 metros acima do nível do mar, no município de Água Doce. Baixa produção por planta, cachos colhidos manualmente e bagos selecionados, com maturação em barricas de carvalho francês de segundo uso. O resultado final agradou bastante. Um vinho muito elegante, jovial para seus seis anos de vida, com notas de frutas vermelhas, madeira presente e taninos maduros.

Quando achávamos que a noite havia terminado, vieram as duas surpresas de bônus. Da Vinícola Santa Eulália, veio o Banduria Sauvignon Blanc 2015, um Colheita Tardia feito com uvas congeladas, proveniente de Bom Retiro, em Santa Catarina. Apesar de ser um Colheita Tardia, apresentou baixo dulçor, trazendo notas de laranja, pêssego e chá. Chegou a lembrar um Vin Jaune da região do Jura, na França, porém sem as características oxidativas deste. No mínimo curioso.

E finalizando tivemos o italiano Vasari Mamertino di Milazzo DOC Nero D’Avola 2012. A uva Nero D’Avola é a mais plantada na Sicília, e geralmente rende vinhos frutados para consumo imediato. Este aqui certamente estava num patamar acima. Era concentrado e complexo, com aromas de ameixa e especiarias. Um ótimo bônus.

Desde já aguardamos a realização da Seleção Privada 5º Edição. Até lá!

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