Saiba mais sobre a incomum Denominação de Origem Colares

A cerca de 30 km a oeste de Lisboa está localizada Colares, uma freguesia portuguesa situada na zona sudoeste do município de Sintra.

Num passado remoto Colares era vista como uma espécie de Bordeaux portuguesa, com vinhas que sobreviveram à filoxera no final do século XIX e conquistaram fama. No início da década de 30 havia mais de 1800 hectares, mas nas décadas seguintes muitos vinhedos sucumbiriam às pressões comerciais do século XXI, sendo substituídos por elegantes casas de praia e apartamentos de fim de semana. Atualmente são menos de 50 hectares de cepas velhas sobreviventes.

Devido aos fortes ventos atlânticos, as vinhas são protegidas por muros baixos ou quebra-ventos de cana (ver foto acima). A camada superior de solo é composta por areia fina, variando de um a sete metros de profundidade, sob a qual está uma camada de argila.

A principal uva de Colares é a tinta e perfumada Ramisco. Nas décadas de 1880 e 1890 os vinhos tintos de Colares eram regularmente comparados com os do Médoc, em Bordeaux. Embora outras fontes afirmem que, na realidade, os vinhos de Colares dessa época se parecessem mais com “Beaujolais encorpados” ou “Borgonhas magros”. O que é certo é que eram vinhos de estilo e elegância consideráveis.

Devido a uma série de fatores históricos que empobreceram a região, por volta da década de 70 os vinhos de Colares se tornaram uma pálida imitação dos de um século antes. Somente a partir de 1990 alguns poucos produtores tentaram reviver Colares, investindo em equipamentos, realizando correções nos vinhedos, etc.

Três tipos de vinho são permitidos na Denominação de Origem Colares, dois tintos e um branco. A diferença entre os tintos provém do solo onde as vinhas foram plantadas. Os de “chão de areia” são os melhores, onde a Ramisco tem de perfazer pelo menos 80% do corte. As outras castas permitidas são: Castelão, Pereira Matias e Tinta Miúda. Os vinhos são austeros e tânicos, e é preciso dar-lhes tempo na garrafa (pelo menos 10 anos), a fim de evitar a forte adstringência. O segundo tinto são os que provém do “chão rijo”, nos solos calcários mais afastados da costa. A bebida resultante é mais pesada e menos apreciada. Misturar os dois tintos é proibido pelas normas da DOC, porém tais cortes existem e são rotulados com a designação Colares-Chão Rijo. Os melhores tintos de “chão de areia” possuem aromas de framboesa, ginja morello (cereja ácida) e amoras silvestres. O vinho branco, feito em pequena quantidade, é produzido a partir da casta Malvasia.

Infelizmente é missão quase impossível encontrar vinhos de Colares à venda no Brasil (e quando se encontra os valores costumam ser proibitivos). Em Portugal é relativamente fácil encontrar nas melhores lojas exemplares antigos, das décadas de 40, 50, 60 e 70. Reza a lenda que muitos deles ainda se apresentam em boas condições. Experimentem visitar a loja portuguesa Garrafeira Nacional e procurem por Colares.

Bibliografia:
– Os Vinhos e Vinhas de Portugal – Richard Mayson – Ed. Europa-América

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