Especial Vinhos de Beaujolais + Degustação de cinco rótulos

Beaujolais produz vinhos tintos, rosés e brancos, porém os tintos elaborados a partir da casta Gamay são os que dominam a região (98% do plantio). A Pinot Noir também é permitida. Já os brancos podem ser elaborados com Chardonnay, Aligoté, Melon de Bourgogne e Pinot Gris.

O clima de Beaujolais é temperado, similar ao sul do Mâconnais, na Borgonha, sendo ideal para a Gamay, uma casta de abrolhamento e maturação precoces.

Os estilos podem variar de vinhos ligeiros e frutados, que são melhores quando bebidos jovens, a vinhos que podem desenvolver complexidade com o envelhecimento em garrafa. Os melhores vinhos são elaborados a partir de uvas cultivadas em solos de granito com níveis baixos de nutrientes. Isto limita os rendimentos e, como resultado, as uvas têm sabores mais concentrados.

A Gamay (foto abaixo) dá vinhos perfumados, com aromas de fruta (framboesa, morango, cereja e cassis) e florais (rosa e violeta). Os vinhos raramente têm mais do que níveis médios de taninos e de corpo.

Denominações de Origem

Existe uma hierarquia em Beaujolais, sendo:

– Denominação regional de Beaujolais (60% da produção)
– Beaujolais Villages (25% da produção)
– Crus de Beaujolais (15% da produção)

Para leste e sul da região fica a planície aluvial do rio Saône. É onde se produz o Beaujolais, principalmente por maceração carbônica ou maceração semicarbônica (processos que visam apresentar vinhos de corpo leve, coloração brilhante e suave, caráter frutado e taninos mais macios, ideais para serem bebidos jovens).

Esta zona é também a principal fonte de Beaujolais Nouveau, um vinho elaborado especificamente para o consumo imediato. Os vinhos rotulados como Beaujolais Nouveau só podem ser de categoria Beaujolais ou Beaujolais Villages; os vinhos dos dez crus de Beaujolais não podem ser vendidos como Beaujolais Nouveau.

Tanto o Beaujolais quanto o Beaujolais Nouveau têm corpo ligeiro e níveis baixos de taninos, com aromas de fruta vermelha e, frequentemente, notas de kirsh, banana, chiclete e especiarias do tipo canela, provenientes da maceração carbônica.

Beaujolais Villages e os Crus de Beaujolais

Para norte e oeste da região, as vinhas estão plantadas numa série de colinas, onde se encontram os solos de granito. Aqui, existem 39 localidades, ou villages, que têm o direito de rotular o seu vinho como Beaujolais Villages. O nome do village raramente aparece no rótulo do vinho. O Beaujolais Villages tende a ser elaborado a partir de um corte de vinhos de diferentes villages.

Dez villages têm o direito à sua própria denominação de origem; estes são os crus de Beaujolais. Os quatro com a maior produção são Brouilly, Morgon, Fleurie e Moulin-à-Vent. Os outros crus são: Saint-Amour, Chiroubles, Chénas, Régnié, Côte de Brouilly e Juliénas.

Moulin-à-Vent, Morgon, Régnié e Chénas produzem os vinhos mais estruturados. A concentração de fruta e o nível de taninos permitem que estes vinhos possam melhorar com o envelhecimento em garrafa, especialmente os de Morgon e Moulin-à-Vent.

Juliénas, Régnié, Côte de Brouilly e Brouilly costumam produzir vinhos de corpo médio.

Chiroubles, Fleurie e Saint-Amour tendem a produzir estilos de vinhos mais delicados, com menos corpo e mais perfumados.

Toda uma gama de técnicas poderá ser utilizada na elaboração destes vinhos. Muitos passam por fermentação de uvas esmagadas e alguns por envelhecimento em madeira, muitas vezes em grandes cubas, em vez de barris – os vinhos raramente exibem aromas ou sabores pronunciados de madeira nova. Outros produtores utilizam a maceração semicarbônica ou ainda uma pequena proporção de cachos inteiros para dar aromas de fruta mais vivos.

Degustação de Crus de Beaujolais

Cervejas e Vinhos adquiriu cinco rótulos de quatro crus, e realizou a seguinte degustação:

Marc Delienne “Avalanche de Printemps” Fleurie 2018
O primeiro vinho da degustação acabou sendo o destaque do dia. Representando o cru de Fleurie, famoso por produzir os vinhos mais delicados e elegantes de Beaujolais, esta produção biodinâmica apresentou praticamente todos os aromas esperados do estilo: cassis, cereja, violeta e banana. Com características médias de acidez, tanino, álcool e corpo, apresentou ótima intensidade de sabor e final. Um vinho de muita personalidade e pureza.

Karim Vionnet “Vin de Kav” Chiroubles 2017
Produto de viticultura natural, livre de aditivos enológicos e enxofre. Acabou sendo o vinho menos aromático da seleção, trazendo apenas frutas vermelhas quase escondidas. Com características médias de acidez, álcool e corpo, tanino baixo e final médio(-). Foi o exemplar menos pontuado da degustação.

Domaine de Joncy “La Pierre” Régnié 2018
Sem a pegada ‘natureba’ dos dois anteriores, apesar de sua certificação orgânica, este Régnié estava super perfumado, trazendo o aroma floral (violeta) antes da fruta (cassis). Um vinho com características gerais médias.

Alex Foillard Côte de Brouilly 2018
Com vinificação de cachos inteiros e leveduras selvagens, este Côte de Brouilly se mostrou o vinho mais ácido da degustação, com aroma e sabor predominante de cereja ginja. Características gerais classificadas como médio(-), com exceção da já citada acidez. Final curto, portanto decepcionante para um cru.

Château Thivin “Les 7 Vignes” Côte de Brouilly 2018
O último vinho fechou com chave de ouro, sendo eleito como o segundo melhor da degustação. Gamay com um toque de Chardonnay, de produção orgânica. Trouxe frutas maduras, como framboesa, cereja e amora. Características gerais médias. Um vinho macio e absolutamente delicioso!

Ao final, o ranking ficou assim:

1) Marc Delienne “Avalanche de Printemps” Fleurie 2018 (91 pts.)
2) Château Thivin “Les 7 Vignes” Côte de Brouilly 2018 (90 pts.)
3) Domaine de Joncy “La Pierre” Régnié 2018 (89 pts.)
4) Alex Foillard Côte de Brouilly 2018 (86 pts.)
5) Karim Vionnet “Vin de Kav” Chiroubles 2017 (85 pts.)

Os vinhos foram adquiridos nas lojas Cellar, Wines4U e Chez France.

Marc Delienne “Avalanche de Printemps” Fleurie 2018

Bibliografia:
– Compreendendo o Vinho: Explicando o Estilo e a Qualidade – Livro de apoio da Qualificação de Nível 3 em Vinhos WSET

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