Saiba mais sobre Ribeira Sacra, na Espanha, e seus vinhos

As principais regiões com Denominação de Origem da Espanha podem ser agrupadas em seis regiões geográficas: o Alto Ebro, a Catalunha, o vale do Duero, o Noroeste, o Levante e Castilla-La Mancha. Hoje o nosso foco é numa D.O. chamada Ribeira Sacra, localizada na Galícia, no Noroeste da Espanha, perto da fronteira com Portugal.

Devido à influência do Atlântico, o noroeste da Espanha é mais fresco e mais úmido do que o resto do país. Justamente por isso é uma região mais conhecida pelos seus vinhos brancos, especialmente os Albariños da D.O. Rias Baixas. Mas também há espaço para tintos, sendo a Mencía a principal casta, com acidez naturalmente alta.

A Galícia conta com as seguintes Denominações de Origem: Monterrei (especializada nas brancas Palomino, Treixadura e Doña Blanca e nas tintas Mencía, Alicante, María Ardoña, Grao Negro e Bastardo); Rias Baixas (reinado da Albariño, que ocupa 95% dos vinhedos, mas Loureiro e Caiño Branco também são cultivados), Ribeiro (brancas Treixadura, Torrontés, Palomino, Godello, Macabeo, Albillo, Loureiro e Albariño; e tintas Caiño, Garnacha, Ferrón, Sousón, Mencía, Tempranillo e Brancellao), Valdeorras (brancas Godello, Palomino e Doña Blanca; tintas Mencía, Alicante, Merenzao e Grao Negro), e Ribeira Sacra, da qual falaremos a seguir.

A vitivinicultura em Ribeira Sacra é muito antiga, com dados apontando a produção de tintos desde o século XVI. No entanto, a D.O. só foi aprovada em 1996, sendo uma das mais jovens da Espanha. Com mais de 2.000 hectares de vinho e cerca de 3.500 viticultores inscritos, é um minifúndio e divide-se em cinco subzonas: Riberas do Sil, Chantada, Quiroga Bibei, Amandi e Riberas do Miño.

A grande estrela local é a casta tinta Mencía (também conhecida como Jaen em Portugal). É em Ribeira Sacra que essa uva atinge seu mais alto grau de nobreza. Resistiu a filoxera e hoje ocupa 50% dos vinhedos da região. O restante é dedicado as tintas Brancellao, Merenzao, Sousón, Caiño, Tempranillo, Garnacha e Mouratón; e as brancas Godello, Loureira, Treixadura, Doña Branca, Albariño e Torrontés.

Ribeira Sacra se converteu, em tempo recorde, em uma das denominações de origem de maior prestígio na Espanha. Um grupo de vinicultores se lançou a reivindicar a qualidade dos vinhos da variedade Mencía e obtiveram o êxito esperado.

A Mencía é uma variedade delicada que, se não amadurecer bem, pode resultar em vinhos curtos, moles e muito herbáceos. O solo de calcário de Ribeira Sacra retém o calor e propicia amadurecimentos controlados, dando origem a vinhos surpreendentemente profundos.

Um detalhe importante a ser ressaltado é que a vindima em Ribeira Sacra é considerada uma das mais perigosas do mundo, com vinhedos em ladeiras extremamente íngremes, com até 85% de inclinação!

As vinhas se comportam de maneira diferente dependendo de onde estiverem. Mesmo tendo em comum a elevada acidez, não são uniformes, com variações de solo e microclimas que podem variar de um vinhedo para outro. E atualmente a maioria das adegas contam com tecnologia e substituíram os antigos depósitos de madeira onde se fermentava o vinho por aço.

A mais famosa produtora de vinhos de Ribeira Sacra é a Adegas Moure, com sua linha de tintos, brancos e rosés intitulada Abadia da Cova. Mas infelizmente encontrar vinhos dessa região no Brasil é tarefa tão árdua quanto a colheita de uvas por lá!

Bibliografia:

– Atlas dos Vinhos de Espanha – José Peñín – Grupo Santander Banespa
– Compreendendo o Vinho: Explicando o Estilo e a Qualidade – Livro de apoio da Qualificação de Nível 3 em Vinhos WSET

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