Saiba mais sobre a região de Jura, na França, e seus vinhos únicos!

  • Clima: Continental, com verões quentes e invernos frios; a grande proximidade de cadeias de montanhas pode provocar mudanças repentinas no tempo.
  • Solo: Argila, calcário, marga
  • Uvas tintas: Pinot Noir, Poulsard (ou Plousard) e Trousseau
  • Uvas brancas: Chardonnay (ou Melon d’Arbois ou Gamay Blanc) e Savagnin (ou Naturé).

Foi em Arbois, no Jura, que Louis Pasteur, o pai da pasteurização, desenvolveu seus experimentos sobre a transformação do suco em vinho, e em especial, do vinho em vinagre, no final do século XIX.

Pasteur deve ter sido influenciado pela maneira como a flor formada na superfície dos vins jaunes do Jura tem efeito sobre eles igual ao que tem no jerez. A flor, levedura que supostamente se encontra na madeira do barril, logo cresce como um véu sobre a superfície do vinho, eliminando o contato direto com o oxigênio. O vinho é guardado, então, por um mínimo estabelecido de seis anos e três meses, sem ser coberto. Ao final desse período de envelhecimento, perdeu 30% do seu volume, mas uma miraculosa estabilidade tomou conta dele. O nome dos “vinhos amarelos” deriva da cor que desenvolvem depois de propositalmente oxidados sob a flor de levedura.

Outro vinho incomum é o vin de paille, um branco doce assim nomeado devido ao antigo método de secar as uvas do lado de fora, sobre esteiras de palha, antes de fermentar o suco. Hoje esse vinho é feito como o Amarone, na região de Veneto, na Itália – os cachos de uvas são pendurados nos caibros das cabanas ou deixados fora, sobre caixotes. A secagem requer pelo menos dois meses e então o vinho deve ser envelhecido em barril por no mínimo três anos; costumam ser dez. O resultado é um vinho com 15,5 a 16 graus de álcool, e cerca de cem gramas de açúcar residual.

O Jura concentra-se agora na produção de quantidades bem maiores de tinto, de Pinot Noir e das cepas locais Trousseau e Poulsard, e de branco seco, de Savagnin e Chardonnay. Entretanto, seus vinhedos ocupam hoje apenas uma fração dos 20.000ha que cobriam antes da filoxera. Já nos anos 60, a região parecia a ponto de desistir da vinicultura. O socorro veio na figura do esperto comerciante Henri Maire, cuja firma hoje possui o vinhedo em que Pasteur fez seus experimentos.

Os vinhedos de Jura são pequenos, mas suas origens são tão antigas quanto os de Borgonha, e seu clima e solo são únicos, assim como suas uvas.

Vamos as denominações:

Arbois

AOC Arbois, AOC Arbois Mousseux, AOC Arbois Pupillin

Tinto/rosé: Poulsard, Pinot Noir, Trousseau

Branco: Chardonnay, Savagnin

Vin jaune: Savagnin

Essa região vinícola desfruta de clima exclusivo, que é menos protegido que o da Alsácia e mais continental que o da vizinha Borgonha. Sob invernos frios – embora os verões e os outonos possam ser quentes, as uvas não raro têm dificuldade para amadurecer. Acredita-se que os melhores vinhos da região se encontram nas appellations de Château Chalon e L’Étoile, mas vinhos similares feitos por boas propriedades em Arbois podem ter qualidade muito parecida.

Os melhores tintos e rosés feitos da cepa Pinot Noir competem com o Borgonha tinto, e os das cepas locais Poulsard e Trousseau podem, quando lhes é permitido conservar o frescor, ter bastante sabor de frutas silvestres e condimentos.

A Poulsard (chamada de Plousard na região de Pupillin) é uma tinta pálida, que é a que mais se aproxima de uma uva rosé. Já a tânica Trousseau é uma uva tinta escura. A Pinot Noir é cada vez mais agregada para acentuar a cor e a estrutura do vinho tinto local.

Os brancos de Savagnin são de três tipos: o vin jaune, muito semelhante ao Jerez fino, intencionalmente oxidado; o Arbois branco, seco; e o vin de paille de uva-passa, semelhante ao Recioto, feito de uvas secas para concentrar o suco e depois envelhecido por até quatro anos em madeira.

Alguns bons produtores de Arbois estão lançando nova tendência para tintos e brancos, de sabor mais refrescante.

Produtores recomendados: Jacques Puffeney, André et Mireille Tissot, Stéphane Tissot Jacques Tissot, Fruitière Vinicole d’Arbois, Domaine Rijckaert, Domaine Rolet.

Outros produtores: Lucien Aviet, Château Béthanie, Maurice Chassot, Dèsiré Petit, Jacques Foret, Pierre Overnoy, du Sorbief, Fruitière Vinicole de Pupillin, Henri Maire, Domaine de la Pinte, Domaine de la Renardière, Domaine de la Tournelle.

Château Chalon

AOC Château Chalon

Vin jaune: Savagnin

Tendo o nome da vila e não de uma propriedade, Château Chalon produz exclusivamente vins jaunes de uvas Savagnin, cultivadas em solo calcário e de marga.

Para usar esse rótulo os vinhos precisam envelhecer em barris parcialmente cheios e lacrados por pelo menos 75 meses, durante os quais desenvolvem seu sabor de levedura e caráter semelhante ao Jerez.

A garrafa especial de 62cl, o clavelin, usada para todos os Château Chalon, representa a quantidade de vin jaune produzida com um litro de vinho básico.

Produtores recomendados: Jean Bourdy, Jean Macle, Berthet-Bondet.

Outros produtores: Courbet, Durand-Perron, François Mossu.

Côtes du Jura

AOC Côtes du Jura

Tinto/rosé: Poulsard

Branco: Chardonnay, Savagnin

Vin jaune: Savagnin

Essa região isolada manteve cepas tradicionais e métodos de vinicultura com uso de Poulsard, Trousseau e Pinot Noir para tintos e Savagnin e Chardonnay para brancos.

Os tipos incluem tintos e rosés levemente frutados, brancos secos, branco espumante, e vins jaunes semelhantes ao Jerez.

Os mais interessantes são os vins de paille doces, do suco concentrado de uvas secas, depois envelhecidas por até quatro anos em barris de madeira.

Produtores recomendados: Château d’Arlay, Jean Bourdy, Domaine Labet, Julien Labet, Xavier Reverchon, Caveau des Jacobins.

L’Étoile

AOC L’Étoile, AOC L’Étoile Vin Jaune

Branco: Savagnin

Essa pequena appellation fica no centro de Jura, bem ao norte de Lons-le-Saunier e ao lado da vila Le Pin – o que, dado o sucesso do Château de Bordeaux com esse nome, deve ajudar nas vendas. A maior parte do vinho de seus 70ha é feita pela cooperativa local.

vin jaune potencialmente bom; brancos leves, herbáceos, de Chardonnay, Savagnin ou Poulsard, tal como um Côte de Jura méthode traditionelle.

Produtores: Château de L’Étoile, Michel Geneletti, Domaine de Montbourgeau.

Outros vinhos do Jura (podem ser feitos em toda a região):

Crémant du Jura

Espumante que mistura Savagnin, Pinot Blanc e Chardonnay. É potencialmente delicioso e tem bom preço.

Produtor recomendado: Grand Frères.

Macvin du Jura

Curiosidade histórica entre todos os tintos e brancos da França. Como o Muscat de Beaumes-de-Venise, o Banyuls e o Rasteau, é considerado vin doux naturel – mas não tem o apelo rico e frutado desses vinhos; oferece antes sabor (adquirido, é preciso lembrar) de um passado distante. Seu processo de produção envolve o cozimento do suco de uvas Savagnin até que metade do líquido (ou mais) tenha evaporado. O suco servido e não fermentado é então fortificado com aguardente vínica e temperado com ervas e especiarias. O resultado, tecnicamente questionável como “vinho” pela falta de fermentação, é amadurecido em barril por seis anos e tem gosto semelhante ao de vermute. Acredita-se que o método, de fato original, foi desenvolvido por freiras da abadia de Château Chalon, no séc.IX. O Domaine Bourdy, que tem os melhores exemplares de Macvin, usa receita de 1579.

Produtores recomendados: Domaine Bourdy, Jean-François Ganevat.

Bibliografia:

– 1001 Vinhos Para Beber Antes de Morrer – Neil Beckett – Ed. Sextante

Enciclopédia do Vinho – Vinhos, Vinhedos e Vinícolas – Hugh Johnson – Ed. Senac

– Vinhos Franceses – Robert Joseph – Ed. Zahar

Harmonização clássica: Vin Jaune com Queijo Comté.

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