Introdução aos vinhos doces da França, além do Sauternes

Quando se fala em vinho doce francês o primeiro nome que vem à mente é o Sauternes, terra do lendário Château d’Yquem. Mas com exceção da Borgonha, todas as outras regiões vinícolas da França produzem vinhos de sobremesa, fornecendo um variado leque de opções.

Em Bordeaux, além do Sauternes, outras denominações conhecidas são Barsac, Cadillac, Cérons, Graves Supérieur, Loupiac e Sainte-Croix-du-Mont. O clima nestas appellations são ideais ao desenvolvimento da Botrytis cinerea, ou podridão nobre. As uvas utilizadas são Sémillon, Sauvignon Blanc e Muscadelle.

Na região de Alsácia e Lorena existem vinhos doces de Gewürztraminer, Pinot Gris, Riesling e Muscat (Muscat blanc à petits grains e Muscat ottonel). Eles podem ser classificados como “Vendanges Tardives” (Colheita Tardia) ou “Seléction de Grains Nobles”.

Em Jura e Savoie são produzidos “vin de paille” em Arbois, e “vin doux naturel” em Macvin de Jura, com as uvas brancas Savagnin e Chardonnay, e as tintas Poulsard, Trousseau e Pinot Noir. O primeiro é assim nomeado devido ao antigo método de secar as uvas sobre esteiras de palha, antes da fermentação (similar ao Amarone, da região de Vêneto, na Itália). O segundo, vinho fortificado com aguardente vínica.

Languedoc-Roussillon conta com Banyuls, Maury, Clairette du Languedoc e cinco appellations de Muscat. Banyuls é a região mais famosa, uma espécie de Porto Tawny da França. É um VDN (vin doux naturel), e possui versões tintas, brancas e rosés, feitas com as uvas Grenache Noir, Grenache Gris, Grenache Blanc, Macabéo e Malvoisie. Maury é semelhante, concentrando-se especialmente em Grenache. Clairette du Languedoc produz brancos doces e fortificados com a cepa Clairette. Já Muscat (Frontignan, St Jean-de-Minervois, Lunel, Mireval e Rivesaltes) faz VDNs brancos de Muscat Blanc à Petits Grains, Muscat Doré de Frontignan e Muscat d’Alexandrie.

No Vale do Loire temos seis appellations especializadas em vinhos botritizados de Chenin Blanc: Bonnezeaux, Coteaux du Layon, Jasnières, Montlouis Moelleux, Quarts-de-Chaume e Vouvray.

Em Córsega encontramos o Muscat du Cap Corse, que engloba dezessete vilas (communes). Seus VDNs de Muscat Blanc à Petits Grains estão entre os mais conceituados da França.

No Vale do Rhône quatro appellations são responsáveis pelos vinhos doces. Condrieu, especializada na branca Viognier, ocasionalmente faz versões botritizadas com sua uva rainha. Muscat de Beaumes-de-Venise faz VDNs de Muscat Blanc à Petits Grains e Muscat Rosé à Petits Grains, muito aclamados. Rasteau oferece fortificados de Grenache, do tipo rancio, madeirizados pela estocagem em barris de carvalho, que mais tarde são expostos ao ar e ao sol (semelhante ao Madeira, de Portugal). Há ainda o Hermitage Vin de Paille, feito com as brancas Marsanne e Roussanne, que geram vinhos com extraordinária longevidade.

Já no sudoeste da França encontramos Bergerac, Côtes de Duras, Monbazillac, Montravel, Saussignac e Rosette com seus brancos de Sauvignon Blanc, Sémillon e Muscadelle; Jurançon, com brancos de Gros Manseng e Petit Manseng; e Pacherenc-du-Vic-Bilh, com suas cepas locais Ruffiac e Petit Courbu, além de Gros Manseng e Petit Manseng.

Como vimos, não faltam opções de vinhos franceses de sobremesa, dos mais variados estilos. Um universo a ser descoberto e estudado.

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