Cervejas e Vinhos visita o Vale dos Vinhedos, parte 1 de 3

Cervejas e Vinhos passou três dias no Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, visitando oito vinícolas e provando mais de quarenta rótulos. Vamos contar um pouco de nossa experiência por lá, mas antes precisamos deixar claro dois pontos:

1) Não nos apresentamos como site em nenhum local, de modo que as visitas foram realizadas de forma anônima, onde todas as degustações e garrafas foram compradas. Portanto não temos ligação com nenhuma empresa citada nesta matéria, e nos sentimos livres para criticar positivamente ou negativamente qualquer uma delas.

2) Nossos comentários sobre os vinhos não contarão com descrições complexas. Além do pouco tempo de beber, anotar e fotografar, após o quinto vinho do dia a concentração já começa a se esvair… Então na maioria dos casos resumiremos em classificar o vinho utilizando os termos do ‘Nível de Qualidade’ proposto pelo WSET3, que são: Defeituoso, pobre, aceitável, bom, muito bom e excelente.

Nossa primeira parada foi no Restaurante Videiras 1535, localizado dentro da Vinícola Dom Cândido. Com uma fusão de gastronomia típica italiana e receitas da cultura gaúcha, foi o melhor almoço da viagem. Na ocasião pedimos um Dom Cândido Documento Merlot 2017, um vinho que classificamos como bom. Este foi o primeiro de seis Merlots que provamos durante a viagem, e ficou claro porque esta é a casta tinta emblemática da Serra Gaúcha. Do mais barato ao mais caro, todos apresentaram consistência e tipicidade.

Com o estômago forrado após o grande almoço no Videiras 1535, partimos para a Pizzato, onde já havíamos agendado horário e uma degustação de sete rótulos. Fomos bem atendidos por Lorenzo Pizzato, neto do fundador da vinícola, que fez a apresentação de cada vinho.

Pela ordem degustamos o Pizzato Brut Branco 2018, espumante realizado pelo Método Tradicional, com 90% de Chardonnay e 10% de Pinot Noir, cremoso em boca e com aromas cítricos e autolíticos; Pizzato Vertigo Nature 2017, o primeiro espumante Nature da América Latina, que utiliza o mesmo corte e tem os mesmos aromas principais do vinho anterior, porém é mais seco e ácido, além de possuir uma certa salinidade; Fausto Merlot Rosé 2020, com predomínio de frutas vermelhas, pêssegos e flores; Pizzato Semillon PP 2019, branco com 10 meses de barrica e fermentação malolática, com notas de pera, gramíneo, erva-doce e mel; Pizzato Merlot Reserva 2018, que foi o primeiro vinho realizado pela vinícola, com passagem de 12 meses em barrica + 1 ano de garrafa, com aromas de fruta vermelha fresca, café e chocolate; Pizzato Alicante Bouschet Reserva 2018, com fruta negra, especiarias doces e chocolate; e o Concentus Pizzato Gran Reserva 2018, corte de Merlot, Tannat e Cabernet Sauvignon, com mescla de carvalho francês e americano, possuindo certa picância e um aroma bem marcante de bala toffee. Todos os vinhos estavam muito corretos, variando do bom ao muito bom, mostrando que os vinhos da Pizzato possuem um padrão de qualidade elevado. Destaques para o espumante Nature e o Alicante Bouschet.

E não podíamos sair de lá sem provar o vinho ícone da casa, o imponente DNA 99. Trata-se de um 100% Merlot só produzido em safras especiais (até hoje apenas 6 safras foram realizadas). Degustamos um exemplar da safra 2015 e estava excelente! Esse vinho já tinha sido destaque aqui no Cervejas e Vinhos em uma degustação às cegas de Merlot, onde ficou em primeiro lugar, batendo rótulos de Bordeaux e Friuli-Venezia Giulia!

A terceira parada do dia foi na Casa Valduga, e aqui ficamos um pouco decepcionados. Esta foi uma das primeiras vinícolas que aprendemos a gostar, quando iniciamos no mundo dos vinhos brasileiros, e já havíamos participado de diversas degustações com rótulos da casa. Gostamos muito de vários vinhos deles, como por exemplo o Gewürztraminer, os espumantes Sur Lie e Maria Valduga, os tintos Villa-Lobos e Storia, entre outros. Mas a decepção aqui se deu pelo atendimento. Optamos por uma degustação de cinco vinhos, e fomos direcionados a um grande balcão, onde ficamos em pé esperando que alguém nos atendesse. Havia na mesa uma extensa carta de vinhos, provavelmente com todo o portfólio da casa, porém na hora de escolher, a maioria sequer estava disponível. No final conseguimos ‘garimpar’ os seguintes: Sur Lie Blanc Nature, Villa-Lobos Cabernet Sauvignon 2015, Identidade 2013 (corte de Arinarnoa, Marselan e Merlot), Raízes 2015 (corte de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Tannat) e X Brandy Ten Years Brandy Classic. São produtos de boa qualidade, mas o atendimento a la fast food foi deveras frustrante.

Finalizando o dia, fomos jantar no Restaurante Sbornea’s, onde bebemos mais dois vinhos. O Don Laurindo Reserva Ancellotta 2019, com 9 meses de barrica e apresentando notas de frutas vermelhas e negras, além de um leve achocolatado, foi um vinho apenas aceitável, o menos estruturado de todos que bebemos durante a viagem. Voltaremos a falar desta casta na terceira e última parte da matéria, que será disponibilizada em breve. E por fim provamos o vinho da casa, o Sbornea’s Merlot 2018, produzido pela Lidio Carraro. Foi o vinho mais barato de toda a viagem, e novamente demonstrou a qualidade da Merlot gaúcha, sendo simples e frutado, correto dentro de sua proposta e faixa de preço.

Na parte 2 contaremos sobre nossas experiências nas vinícolas Estrelas do Brasil, Garbo e Cave Geisse. Até breve!

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