Degustação de Vinhos de Israel promovida pela ABS-SC

No dia 22 de junho de 2018, Cervejas e Vinhos esteve presente na “Degustação de Vinhos de Israel” promovido pela ABS-SC, realizado no Espaço Bomtempo em Florianópolis-SC. O evento contou com a participação do Embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, e grande público (mais de 100 pessoas, de acordo com a organização).

Após uma apresentação de slides, onde foi contada um pouco da história do vinho em Israel, teve início a degustação com a presença de nove rótulos.

Aqui cabe um adendo: no cartaz do evento (que pode ser visto mais acima), consta a frase “Vinhos de 5 regiões”. As cinco regiões vitivinícolas de Israel são:

Galil (Galileia) – No norte, onde estão as Colinas de Golan.

Shomron (Samaria) – Maior região do país, na planície de Sharon no norte.

Shimshon (Sansão) – No centro-oeste, entre as Colinas da Judeia e a planície costeira, a oeste do Mar Morto e a leste da costa do Mediterrâneo.

Harey Yehuda (Colinas da Judeia) – Em torno da cidade de Jerusalém.

Negev – Região desértica ao sul.

No entanto, provamos vinhos de apenas três regiões: Galileia, Colinas da Judeia e Sansão. Ficaram faltando representantes de Samaria e Negev. Foi explicado, pela organização do evento, que uma pessoa que traria os vinhos de outra cidade, teve seu vôo cancelado, e por conta disto os mesmos não chegaram a tempo. Lembrando que na degustação anterior promovida pela ABS-SC, com os vinhos alemães da Herdade Vinícola Müller-Dr. Becker, ocorreu algo semelhante. O cartaz anunciava cinco vinhos, e na hora H somente três foram degustados, devido a um problema com a transportadora que não entregou os vinhos (nosso relato sobre este evento por ser lido aqui). Somos compreensivos com tais adversidades, mas fica aqui um leve puxão de orelha na ABS-SC, em forma de crítica construtiva, para que cuidados extras sejam tomados a fim de que este tipo de problema não ocorra mais nas degustações vindouras.

Em relação aos vinhos oferecidos, tivemos:

Espumante:
– Tabor 562 Brut 2016 (80% Chardonnay e 20% Cabernet Sauvignon) – Galiléia

Brancos secos:
– Montefiore White 2015 (65% Colombard, 25% Chardonnay e 10% Semillon) – Colinas da Judéia
– Golan Heights Yarden Chardonnay 2015 – Colinas do Golan, Galiléia

Tintos:
– Carmel Winery Selected Cabernet Sauvignon 2016 – Shomron
– Golan Heights Hermon Red 2016 (Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Malbec, Merlot e Petit Verdot) – Galiléia
– Golan Heights Yarden Cabernet Sauvignon 2014 – Galiléia
– Montefiore Cabernet Sauvignon 2014 (85% Cabernet Sauvignon e 15% Petit Verdot) – Colinas da Judéia

Brancos doces:
– Carmel Winery Selected Moscato 2016 – Samson
– Golan Heights Yarden Muscat 2014 (Vinho fortificado 100% Muscat de Alexandria) – Colinas do Golan, Galiléia

Nossa opinião, puramente baseada em gostos pessoais, e que não reflete em hipótese alguma uma crítica ao evento, é que os rótulos não surpreenderam. Tratam-se de vinhos muito corretos, honestos, porém sem rusticidade ou grande personalidade. Não queremos criar aqui nenhum tipo de polêmica, e certamente muitos dos convidados presentes discordariam de nossa opinião. Inclusive gostamos muito dos tintos da Golan Heights, o Hermon Red 2016 e o Yarden Cabernet Sauvignon 2014. Mas ambos nos pareceram buscar Bordeaux como referência, porém com aspecto de Novo Mundo. Os vinhos israelenses possuem forte influência californiana, e sentimos falta de um diferencial ou características próprias. Ao mesmo tempo, não restam dúvidas de que se trata de um mercado altamente promissor, mesmo porque, comparado a outros países produtores, Israel só começou a produzir vinhos de qualidade internacional a partir dos anos 70, quando justamente a Golan Heights trouxe tecnologia e conhecimento prático da Califórnia.

Durante a apresentação dos slides, foi citado a existência de quatro variedades de uvas locais: Argaman (Sousão + Carignan), Baladi Asmar, Hamdani / Marawi e Jandali. Torcemos muito para que a indústria do vinho em Israel continue crescendo a passos largos, e que, no futuro, possamos experimentar vinhos varietais das castas supracitadas.

Apesar de algumas atribulações na organização do evento, foi muito interessante o mergulho na cultura do vinho de Israel. Apreciamos demais a iniciativa da ABS-SC em trazer à Florianópolis experiências de grande aprendizado como esta.

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